'24:45' Private Witt: [voice over] This great evil. Where does it come from? How'd it steal into the world? What seed, what root did it grow from? Who's doin' this? Who's killin' us? Robbing us of life and light. Mockin' us with the sight of what we might've known. Does our ruin benefit the earth? Does it help the grass to grow, the sun to shine? Is this darkness in you, too? Have you passed through this night?
- Aí Gregor, vou descobrir o tesouro que você escondeu aqui embaixo, seu milionário disfarçado.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
good
fico aqui me redescobrindo
me excluindo
re-colorindo
fico aqui me analisando
da cabeça aos pés
me perguntando
a razão
do gemido
fico aqui me carregando
em meu labirinto
e cada esquina que tracei
eu me esqueço, me lembro,
paro e retraço o caminho.
o problema da minha jornada
é que eu nunca sou eu.
as palavras que canto hoje
não serão as mesmas amanhã
só querem saber de mim
e de mim eu já nem sei
me encontro em todo o canto
todo poema grão de areia e esquina
não sei se enlouqueci
e se foi por alguém
se foi porque encontrei Deus
ou só porque eu descobri que sou eu.
tirei o motivo que eu respiro
de um canto do sabiá;
que mesmo triste e enjaulado,
encontra motivo pra viver no cantar.
eu decidi ser eu
e por isso deram-me feito louca;
porque não me dou pelo que se é passageiro
e a vida se manifesta pela minha voz rouca.
me excluindo
re-colorindo
fico aqui me analisando
da cabeça aos pés
me perguntando
a razão
do gemido
fico aqui me carregando
em meu labirinto
e cada esquina que tracei
eu me esqueço, me lembro,
paro e retraço o caminho.
o problema da minha jornada
é que eu nunca sou eu.
as palavras que canto hoje
não serão as mesmas amanhã
só querem saber de mim
e de mim eu já nem sei
me encontro em todo o canto
todo poema grão de areia e esquina
não sei se enlouqueci
e se foi por alguém
se foi porque encontrei Deus
ou só porque eu descobri que sou eu.
tirei o motivo que eu respiro
de um canto do sabiá;
que mesmo triste e enjaulado,
encontra motivo pra viver no cantar.
eu decidi ser eu
e por isso deram-me feito louca;
porque não me dou pelo que se é passageiro
e a vida se manifesta pela minha voz rouca.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
(eco I)
- Vi...
vito
ri
a
a
vitória...
Beijo.
- (saudade.)
- hummmm
realmente está...
cana
alho
- canalho
- canalha...
- canalha.
você.
ah...
- hahahahhahah
- (teu nome)
- eu
você
mim
- nós.
- quero safadeza
delicadeza
moleza
descanso
balanço
- paz?
você.
tempo
só você.
caralho.
silêncio.
- tempo...
nos separa
nos acaba
acabamos
vamos
para lá
no seu nicho
suplico
um toque
um gosto
vero
- desgosto
por todos
que não sejam
você é fardo que desde cedo gosto de carregar
- uau
miau
auau
- vai se fuder
a vida tá acontecendo
e eu quero só você...
- vou me fuder
vou te fuder
vamos nos fuder
- vou me foder.
pra caralho.
- ver.
- amo você.
- huuuuuum..
- amo-amo você.
- que louca.
doida.
- doída.
- desvarrida
safada
acabada
doída
sofrida
sôfrega
linda
abatida
- amada
?
- e amada.
desejada.
sonhada.
- adorada.
pertencida.
você sabe que tempo não é nada.
- sede é tudo.
seja
- tudo é nada
seja.
- tarada
amada
criada
mal
ditada
interpretada
mamada
amada
tarada
- desconhecida.
e você?
- aborrecido
entristecido
acabado
velho
canalha
safado
porco
nojo
preguiçoso
lixo
humano
- lindo.
meu.
meu.
eu quero você pra mim.
eu não me importo, humano.
mundano.
tão me distraindo, me chamando pra vida. mas eu só queria...
você.
- ?
há vida
- há gente.
- tudo é uma questão de manter
a mente quieta
a espinha ereta
e o coração tranquilo
- me espera, não só amanhã.
você sabe... coração tranquilo. é uma questão de manter.
- esperará?
- quando não
- em mim.
- sim.
sim.
e sim.
- uau
miau
auau
- você vai?
- viver?
- esperar por mim.
viver...
viver e esperar.
- minha vida é uma espera
pela serenidade
- minha vida é uma espera
pela serenidade
pela dignidade
pela vontade
pelo amor
pelo canto
pela casa
pelo sorriso
pelo filho
pelo encosto
gosto
espero
só espero
te espero
te brindo
- se não for pra você...
que seja por mim.
que seja agora.
que não seja espera.
eu tô "aqui"
faça por nós
faça por mim
por ti
por todos
mas faça
porque no fundo você já sabe.
- Sei...
sei?
- no fundo...
sabe.
sei?
- no fundo...
sabe.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
17/12
Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos.
Meu sangue latino, minha alma cativa.
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos.
Meu sangue latino, minha alma cativa.
Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Tainá Silva, 03/12/2013, 22h31:
"As vezes me pego pensando no quanto as coisas, de maneira bem torta, são perfeitas. O que quero transmitir, é a simples gratidão que tenho com os acasos… O destino, talvez , que seja então. Sou grata por ter passado meu tempo, mesmo que tenham sido pouco ou ate mesmo insuficientes, com pessoas, certas ou erradas, apenas por ter tido a oportunidade de encontra-las… Toda essa introdução, um pouco confusa, é para tentar chegar no ponto que eu queria: Você foi, a pessoa certa de certo, entre varias certas… Enfim, você também faz parte de mim, do que sou hoje.
Je t’aime.”
domingo, 1 de dezembro de 2013
23.11.13
desacelerava como quem tivesse calma, sempre capta meus recados. tento não escrever sobre ele conjugando-o no passado, mas é quase inevitável. (no fundo, rolling stones tocando you can’t always get what you want, o clichê.) nossa noite foi profunda. de alma pra alma. e mesmo com tormentas, a gente tinha calma. talvez a gente tivesse mais calma um nos braços do outro do que a gente sozinho revendo toda nossa jornada. eu acho que você não precisa falar, porque eu consigo entender. eu não sabia se eu estava mesmo chapada, mas a vontade de dizer que eu o amava e de te chamar de amor era tão natural quanto te chamar pelo seu nome - o qual chamava com certo esforço, não deixando escapar a palavra amor.
nesses diálogos profundos que são difíceis de recriar, a gente consegue se falar de alma pra alma. quero estar contigo nesses momentos difíceis mais do que você quer estar nos meus mais felizes. eu também levo a sério, mas eu disfarço.
talvez a gente tenha que aceitar que na nossa vida apareçam coisas maravilhosas que deixam tesouros, cantos, souvenires dourados e vão embora. deixam marcas. nos deixam.
a verdade é que se você não foi o amor da minha outra vida e não for dessa, na próxima vai ser. na próxima, te faço amor da vida passada. quem sabe nessa mesmo, a gente nunca sabe aonde vai parar na próxima esquina. tento não te encarar como metáfora.
"compreendeu então que as metáforas são perigosas. não se brinca com as metáforas. o amor, pode nascer de uma simples metáfora." eu não queria encarar você como o homem da minha vida, como um adivinho que me parou na rua e surrou: calma, que o homem certo tá chegando. e ele é justo. ele é direito. ele é da justiça, da lei. por mais que a gente faça tudo errado, eu incentivaria seus maiores sonhos pra te ter mais tempo ao meu lado.
eu sei que não faz sentido, mas só de sentir deixa tudo compreendido. sinto que o meu amor, assim como eu, não tem limites. nenhum limite físico ou tempo. é que ontem eu senti tudo tão infinito. eu sou infinito. sou um todo. faço parte. sou trilha, sou caminho. então eu tento não me desesperar, porque se é mesmo… vai sempre além. pelo menos eu te encontrei. e estar lá porque você me trouxe e você me trouxe porque eu te chamei e eu te chamei porque eu te encontrei nesse mundo tão louco. pouco tempo que se parecem anos, parece vida.
sou só eu que sinto isso como se fosse mesmo de alma pra alma? depois de ontem, eu não sei de mais nada. eu não vou limitar nada. eu vou amar o próximo e vou amar você intensamente. eu vou ter que seguir em frente, continuar com o meu caminho mas tudo ganha tanto motivo com você. eu também não entendo mas depois de tudo, precisa entender? amor, deixo dito: nada nem que a gente morra desmente o que agora chega a minha voz.
te procuro, te procuro. e não me esqueço, não me esqueço.
não se esqueça também.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
se todo o nosso pudesse se resumir em batidas inquietas,
nesses cigarros compartilhados que dão mais de um maço
voltar com a velha crença que me encontrei em seus braços.
é sempre essa velha história de não saber o que dizer.
de acordar na tarde e pensar que você está no seu trabalho. que hoje nada mais que eu faça vai me fazer encontrar você... será que a gente pode fugir enquanto você compra pão? eu sempre te espero ansiosamente pelo amanhã. logo na manhã e carregar, em que me mergulho por todas aquelas vozes e consigo achar a tua. - como eu amo isso!
eu rio comigo mesma só de perceber que eu acordo e penso em você. eu rio comigo mesma só de lembrar em você e depois eu rio mais um pouco por perceber que você está me fazendo rir... e depois eu rio mais um pouco, porque dá medo mas ainda tem sua graça. é que por mais triste seja ter de partir, minha ida seja tão breve quanto a sua estadia, não posso mais mentir ou esconder o quanto te gosto. de verdade. e que eu não tô aqui por simples desperdício de tempo... eu sei que eu disfarço bem, com meu riso sempre tão exposto, meu andar quase leve, minha timidez que vez em quando bate, me fazendo olhar instintivamente para o chão, mesmo assim vestindo o sorriso que você me dá.
eu sei que eu disfarço bem mas você sabe que é verdade. eu sei também.
então a gente troca umas risadas silenciosas pelo corredor, depois de uma noite que a gente dormiu pensando na gente e a gente ri e volta a fazer nossas coisas e mais tarde nessas coisas, a gente ri se lembrando de quem a gente é agora. e mesmo que seja peso, é tão engraçado quanto desesperador quando a gente encontra com o que é,o que pega todas suas formas, todas suas cores, todas as suas dores e é. é.
e não consegue ser pesado. não há correntes e bolas penduradas pelo pé. é ter um abrigo em todo esse contexto caótico e extrapolado, ter um lugar, pertencer. e não um contexto caótico e extrapolado no seu próprio abrigo. esse ponto se destaca para mim. hoje em dia tão pouco sei onde moro, o que eu carrego, o que eu devo ou vou carregar. nem sei ao certo o que eu sou. mas você me dá uma clareza e firmeza que nunca pude encontrar. eu escrevo para registrar, algo que vai ser passado. vai ser pesado. vai me deixar.
e eu partirei antes.
eu não queria te enxergar por trás dos meus olhos cinzentos e tristes, a vida é muito maior do que todas essas rimas, todo esse jogo, todas essas cores que transbordo. você me faz acreditar que todos os valores e termos podem mas não se resumem ao estar lá e estar no momento.
pegar a estrada logo pela noite, deixar o ar e o vento entrar, cheiro de cigarro, cheiro de mato e o seu cheiro também.e ela poderia se resumir facilmente em estar com você e te observar pelo canto dos olhos, enquanto toca morphine. e sua mão vai se aproximando lentamente da minha "xoxotinha" - e eu me imaginei te perguntando qual seria o melhor termo e você me diria isso depois de algumas tentativas de um jeito bem sacana e seu mesmo. e eu comecei a rir. e eu vou te colocando pela minha cabeça, criando outras histórias, outros momentos, outros diálogos. porque é fácil te encaixar nos meus contextos. é sempre leve, base, sólido. as vezes parece bobo, mas a gente leva a sério. por trás daquelas palavras sacanas, a minha verdade nua do jeito que ela é. por trás dos meus risos sujos, seus olhos me acompanham e me lembram que é ainda sim, uma causa nobre.
eu não quero te complicar, te tentar encaixar na minha vida, te moldar de outras formas. eu gosto de olhar pro céu que a gente sabe que é azul e além de lindo e sublime eu ainda acho umas pinceladas rosadas no meio dele, bem leves, quase diluídas. eu gosto de sorrir e me lembrar de você. gosto de te associar com qualquer coisa boba, notar as colinas do mato enquanto remo de volta pra terra e elas formarem e me lembrarem o seu rosto. se eu pudesse pedir qualquer coisa no fundo do meu coração, eu pediria você. eu pediria que se por algum acaso bom, eu talvez possa ficar com você pra sempre. seria tão fácil e simples. porque no fundo quando eu noto o que me falta e o que eu quero, são coisas simples como a sua sombra. por perto, calado, manifestando sua presença, permanência. se eu pudesse pegar uma dessas coisas que mais gosto do mundo, acho que pegaria mesmo você, de trinta e poucos anos, insônias pesadas, nada muito limpo, nada muito valioso. eu quero tudo. quero soma. quero estar. meu deus, como te gosto. como fico frenética querendo te encontrar. deixando escapar tudo por um segundo que posso encontrar com sua presença. e como sempre, a gente ri e olha pro chão, porque a gente sabe.
talvez não seja o tempo certo, nem o lugar. mas é. e só por isso, todo o amor desse mundo já basta.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
meus capitães (de areia)
com o passar de cada dia, com o encontrar toda manhã, notei a convivência ritmada, o apego e afeto que são mais importantes do que qualquer intelecto. qualquer livro de quintana, cada estrofe de pessoa, cada acorde de beethoven.
me vi apaixonada cada vez mais por cada segundo gasto que não tem volta, encontrando poesia nos poços de água, com lixos, bitucas de cigarro e flores. me vi apaixonada pelo meu próprio riso, tão natural quanto impróprio. e cada fala ritmada e rimada em verso, mesmo que em gíria e do avesso.
me vi apaixonada por cada pessoa em especial, por uma ou duas. na verdade são mais de dez que fazem meu dia. que me deixam em pé, que não é preciso ser uma manhã sempre tão chata, porque estar aqui me faz mesmo um quase estrangeiro, mas não tira o lar que meu coração se instalou.
é com uma dor pesada e uma alegria leve que me fazem ser poesia, ser arte e ser cor, mesmo não sendo nem fazendo nada disso. veja bem, eu poderia te contar desde o começo. mas nem ele tem tanto significado como tem o agora.
-
fumava cigarros/ recitando poemas de quase mortos/ ouvindo jazz para não se fundir com a (de)pressão./ sete xícaras de café por dia/ dois maços e meio/ quarenta e poucos quilos/ cabelos que parecem rosas/ riso leve pra desmentir o peso/ tristeza que andava ao lado do peito esquerdo.
olhos de cigana/ sentimentos a serem descobertos/ insônias pesadas./ sonos pesados/ camadas de maquiagem tentando consertar qualquer defeito/ ela queria o amor./ e queria ser amada.
mas sem motivo aparente,/ a tristeza bateu de modo urgente/ e mesmo batendo, foi indo./ vivendo/ sobrevivendo./ não queria gastar seu tempo./ mas gastava todos seus sábados a noite, dopada, chapada./ "vivendo."
foi então primavera/ e primavera significa grandes feitos/ tornou-se dourada./ tornou-se tornado./ conheceu Trovato./ rapaz nem tão jovem e sua poesia/ hoje em dia, virou sofrimento./ trovato-tornado/ tinha a tornado/ uma menina com aparência de mulher/ que tanto procurara/ e abatida, o encontrara./ e naqueles dias sem sentido/ esse fato se tornou sentimento./ em dias mais gastos/ maquiagens apagadas/ voltando pra casa sempre desacompanhada/ trovava pro nada/ esperava pela solução dos problemas,/ com o estalar dos dedos.
guria que havia tido tudo/ tinha todo o mundo/ embrulhava e presenteava seus sentimentos/ sempre incompreendida/ sempre meio sozinha/ vivendo com certo receio./ músicas chapadas/ amigos sempre mais velhos/ camas sujas de quase adultos ocupadas por meia noite./ ia embora assim por ter mais sentido./ do que estar sentindo.
um dia acordara/ de cara amassada/ a maquiagem não disfarçava todos seus feitos./ todos seus anos e efeitos./ não sabia se vivia numa máscara/ não sabia vivia mesmo uma vida/ pouco falava em casa/ mais falava chapada./ seis horas da manhã logo cheios de fumaça/ desgosto em estar/ com vontade de pertencer/ onde nunca foi convidada para entrar./ poderia ter sido só um amor errado/ mas ela era./ toda errada.
fez suas malas/ "vou parar de desperdiçar meu tempo."/ "vou parar com esse tal de sofrimento."/ "eu me arranjo, eu me viro."/ "de qualquer jeito."
-
então eu cheguei aqui. com pedras na mão que conforme o tempo, foram substituídas por rosas. cheguei aqui com o cabelo gasto, a cara pálida, uns quilos a ganhar. umas dores a se perder. é tudo uma questão de tempo, mesmo que acanhada e dolorida, fui em frente, cabeça erguida, peixe fora d'água. quase que insolente, pois se me atirassem pedras, é da minha natureza humana, revidar.
é uma questão de armadura, casco, proteção. eu estou em pé, ando sempre em frente, não olho para a face de ninguém enquanto entro pelas manhãs. mal me conheciam, motivo para estar lá, eu tinha. e com o tempo, descobriram. me descobriram. me descobri também.
foram processos e passos lentos e dolorosos. não sabia mesmo onde ia parar, mesmo indo do colégio para casa direto todos os dias. comecei a fazer uma verdadeira terapia, me enchi de filmes, cores, fui me despedindo aos poucos. deixei ir aos poucos. perdi coisas que deveriam ter sido perdidas há mais tempo. e o fato real era que eu era cheia de gente que me enchia, mas quem me ama vai até o final. a pessoa que meses atrás me fez ser uma menina de 12 anos apaixonada, que me levou a loucura, a pessoa que eu mais me importava e respeitava, foi a única que me deixou no meio desse caminho. eu não tinha levado o que os outros me diziam a sério, porque de uma forma ou de outra, deixei de me importar com as palavras que podiam me ferir. talvez porque eu não tinha nenhuma palavra valente ou importante de quem eu me importava. e aos poucos, fui deixando. foi perdendo os pontos. um processo lento de se despedir. e os outros sendo importantes, sendo presença, sendo quem eram. hoje tão pouco sei quem é.
aos poucos, fui encontrando poesia. fui encontrando vida. na verdade, não demorou muito. me acharam louca e fora do comum logo de cara. eu era a única paulistinha do colégio inteiro. já me conheciam, fosse mais pela fama do meu pai do que quem eu pudesse ser, por mais que atraísse a atenção dos outros como se estivesse num circo. me acharam intelectual demais, talvez chatinha demais. ouve música e lê palavras que ninguém compreende. parei de me maquiar, me arrastava, a única fumante do colégio. pintei as madeixas e com um certo tempo, fui me apegando. fui sendo. conquistando. eles são. eles vão. eles continuam me conquistando. as vezes acho meio descartável esse tipo de sentimento, mas eles podiam ser meus capitães de areia. nada marginalizados. de riso fácil. pé sempre na areia. de dar e receber. estar e se divertir. nem eu sei porque os amá-los tanto. mas foi algo sobre estar sintonizada, aceitar, dar. ser. e é tão simples que como num passe de mágica, eu já tinha o coração deles. por mais que eu acredite que o meu foi deles antes dos deles serem meus. é uma simples questão de gostar do meu riso verdadeiro e sentir carinho pelo tom de voz. é se relacionar com quem puder, se puder.
é que eu me vejo constantemente dando risada porque eu amo até esse vento que me bate na cara, do cheiro de chuva na terra, de café caseiro feito quatro horas da tarde, lou reed no vinil, meu pai plantando pés, meu tio bolando um, a tv bem baixa nos lembra dos problemas que não fazem parte desse nosso pedaço de terra. os sábias cantando loucamente, o sol deixa o céu meio alaranjado, os passarinhos disputando pelo bidê de água com açúcar, minha cadela fica louca com o lixeiro e todo mundo manda ela ficar quieta. são as sombras das plantas sob a casinha do meu pai que eu posso escrever versos,arro posso tirar tantas fotos, pintar tantas coisas, mas eu fico no canto, vendo e falando com o vento, fumando um cigarro meio encantada, mais grata, completa. e a última vez que eu vi a lua, eu ouvi sua voz e me fez sorrir. e eu chorei. eu chorei. eu chorei porque agora que tanto tenho, me tenho, amo, encanto, encontro, cada vez mais, poesia, vida, motivo, eu devo ir.
minha vida parou por quase um ano inteiro, mas tudo isso tem um grande motivo para mim. tantos. infinitos. e é tanto, que amo, que gosto, cada segundinho mais doído que percebo como tanto gosto desse cachorro, dessa terra, desse canto de grilos, dessa chuva preguiçosa, dessa minha avó linguaruda, desse meu pai meio carrasco, meu tio meio louco, meu outro tio meio entristecido. dessa gente toda, que cada segundinho que passo mais, mais eu gosto, mais acho motivo, mesmo que tolo para se admirar. tanta poesia que eu ainda não fiz, tanta história que eu pensei mais não vivi, tanta coisa que eu conquistei e agora eu não vou poder ter nenhum pouquinho mais? é sempre assim, não é? quando você acha motivos, quando você acha vida, quando você acha arte mesmo não conseguindo colocar no papel, quando você acha alguém... quando você acha alguém que coloca todas as suas questões em pauta e as descarta discretamente enquanto eu não estou olhando. quando você encontra amigos, motivação. ah, eu amo vocês. todos vocês, planta, pássaro, cachorro, vó, vizinha, amiga da tia, tia da cantina, rosalinda, daiane, eu também amo você. professor, eu também amo você. ei você... foge comigo e vamos descobrir o que é a vida. me leva pra sair mais alguns dias, pra outros estados, novas ruas, novas histórias. céus, como os gosto. como os carrego calorosamente todos os meus dias.
ah vocês, tanta poesia que podia ser escrita
e mesmo ainda sem ter partida
já tem uma dor em ter de carregar vocês
apenas no meu coração.
domingo, 3 de novembro de 2013
e no meio de 71 quilômetros que só hoje foram poucos demais para serem percorridos, ele aumentou o Lou Reed e começamos a cantar juntos de uma forma tão natural quando íntima... eu já sabia. não sei se ele também, mas ele costuma ser bem mais sábio do que eu. todas suas palavras soltas colaram na minha mente. então o que aconteceu foi melhor do que pretendíamos. puta que pariu, é que você não permite "biografias não autorizadas sobre sua vida de merda" e eu tenho mania de te achar sempre engraçado. e sorrir na frequência que suas peles de galinha aparecem, ou são elas que captam meu sorriso. eu gosto de como você sempre sorri e me faz rir mas isso não significa que eu não te levo a sério.
eu levo tudo muito mais sério do que deveria. talvez meus anos muito novos e histórias feitas ainda não me tenham feito ver a vida de um modo realístico e sim muito sonhador. eu poderia falar sobre os astros, o porque disso e mais disso, mas eu tenho mania de nutrir. e água deixa a terra fértil e a gente pode crescer.
é que foi num desses meus momentos em que eu precisava de um conselho e todos os adivinhos ou quase videntes ou entidades qualquer coisa que fosse me diziam. e agora sempre te encontro. eu não queria, mas faz parte de mim. eu nunca sei muito bem o que esperar. mas o que quer que seja, que seja. e eu vou fazer valer a pena, porque você já faz.
de uma maneira disfarçada, despercebida, ocultada. o que é simplesmente é.
e eu gosto de ti por isso mesmo.
tempos do café/ da poesia.
manhãs de domingo,
nove horas com tons altos e leves.
me lembrando já do ontem,
onde me joguei em teus braços,
me encontrei nos teus olhos,
me embaracei com tanto clichê.
me lembrando do ontem,
em que acordei,
com uma visita inesperada
me chamando
para ter nem que seja
trinta minutos ganhando um dia.
me lembrando do hoje,
mesmo cansada,
o sono que se acabava,
o sol se manifestava.
junto a tom zé
e o cheiro de café,
nove horas da manhã.
do fumo partilhado,
do estar junto, reunido.
do dia estar tão bonito.
tudo soar o bem.
a alegria em realizar
se reflete no meu amar
os outros,
pelo riso,
pelo grito,
pela voz.
dias que,
poesia não basta,
sonhar não basta.
ver, viver.
isso sim.
estar.
é o que eu preciso.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
escrito na antecipação do amanhã
estávamos tão leves quanto a brisa do mar cinza bravo junto ao frio e o vento que a chuva fina trazia. foi quando em um momento tão distante dali fui interrompida: "mas as coisas estão mesmo rápido. sempre que saio de casa minha mãe aconselha; se lembre do amanhã, lembre do amanhã." então como um empurrão violento me lembrei que não havia quase tempo, juntei minhas coisas e voltei pro meu lugar.
é no meu lugar frio e protegido que me abro para lhe gostar tanto e te ver andando pelos meus pensamentos. então pensei em toda essa loucura, essa coisa de ir e partir, de conhecer e depois deixar ir. é o fato de tudo ser uma questão de tempo, questão que a gente aprende e desaprende. eu não me lembrei só sobre o amanhã, mas no ontem e na semana passada. na semana passada que a gente sofria empurrões e puxões do gostar passageiro. no ontem, já me dizia que podia o encontrar toda hora e a gente se embolava na frente dos outros tentando não se embolar. sobre amanhã, nem sei, mas já escrevo.
é quase que uma regra pessoal não escrever antes de um encontro, sempre sei do que me é capaz e no fim do meu fumo eu já estou pensando em me casar e viver de amor. imagine escrever sobre então? ficar preso nas expectativas, quase realizações. coisas que por não terem sido feitas, deixaram de ser. então de um dia pro outro alguém te encontra e tudo volta a ser novo... tamanha espera que agora que a toco, analiso e a escrevo, percebo que é mesmo muita. veja meu bem, há tanta coisa abaixo da superfície que pode ser tanto quanto acariciada e colorida. eu poderia escrever sobre o que tanto que espero, a vontade que eu tenho para ter minhas respostas. mas as vezes se resume em se concentrar nas vozes sete horas da manhã em um ambiente completamente cheio simplesmente pelo prazer de poder ouvir sua voz logo pela manhã.
eu não preciso ser tão expert para saber que me marca.
e que seria uma loucura não ser marcada por tal passagem que faço na vida dos outros... mas, as vezes acho que minha vida fica mais marcada pelos outros do que por mim mesma. eu poderia negar os versos que me entregam: "I wanna shine on in the hearts of men."
eu poderia falar sobre todas as minhas experiências traumáticas e minhas tentativas amorosas e sei que você poderia colocar um fim em todas apenas com uma risada. e é exatamente isso que preciso. eu não preciso de respostas ou provas concretas pra te dar o que eu posso te dar. eu não tenho um preço. eu gosto de tomar riscos. o mais certo seria te ver como uma coisa que vou ser obrigada a deixar amanhã... mas eu não imagino. nós dois estamos a procura do verdadeiro, a gente sabe que é uma certa sorte ter chegado até aqui. é que mesmo sendo tudo errado, eu gosto de toda a ideia que você transpõe, eu gosto de tudo o que você faz, eu gosto de você. posso-até-amar-você mesmo sendo tudo tão errado, nada muito adequado ou propício. mas se não fosse por isso, talvez não fosse o que se é.
é que olha, a gente mal saiu, o amanhã mal chegou, eu mal sei do meu pé e da minha cabeça nem mesmo quem eu sou, mas já dá pra colocar tanta questão na mesa só ao encontrar teu olhar, cara. e que a gente é sábio demais para não se esquecer, nem mesmo desperdiçar. a verdade é que se ama pelos detalhes mais mínimos que deixam evidentes o gostar. é pegar ele olhando e depois se entregar com um riso embaraçado, é antes dele chegar pegar um copo de café e ao chegar ele imediatamente vai pegar um café também, como um quase café compartilhado na mente dos poetas sonhadores. me erguer da onde quer que seja para ver se aquele carro vermelho é o dele, é notar que no dia que a gente vai sair, que todos dizem que está mais bonito e de barba feita, é olhar para você e rir porque ninguém sabe. a manifestação que causa em apenas duas almas e que muda apenas a vida e as certezas de duas pessoas que poderiam ter suas diferenças mas eu não sei que palavra te colocar que te definisse como a coisa que valesse a pena ter passado por tudo isso. como se eu fosse a coisa que você tinha esperado. porque eu vejo mesmo muito significado e sentimento em você. é tudo uma questão resumida em coisas.
é mesmo tanta coisa que poderia ser jogada no vento e deixar a dizer. e mesmo que o amor seja o ridículo da vida, ele é sempre tão esperado na minha quanto o amanhã que lentamente chega, que tanto espero, que logo passa. mas fica. eu que evitei escrever sobre você no dia que você disse "receoso... mas por que não?" para não me apressar nem me adiantar, parece tanto tempo, mas faz menos de uma semana. na verdade, só escrevendo na esperança de aliviar tamanha agonia que se espalha e que deixa de ser engolida a cada pé de letra. eu quero ter certeza que você é justamente o que você é e não o que eu quero e eu acho que o amor é lindo por não ter um tema proposto. na verdade, por ser algo mais selvagem e faminto do que toda essa dor da selva humana, ser algo real e no meio de tantas sujeiras, ainda ser uma causa nobre. e como sempre, meu principal lema quase mantra da minha vida, dá um fim em minhas incertezas prolongadas: se for por amor, por que não? eu só vou. (ficar traumatizada por uns oito meses)
é no meu lugar frio e protegido que me abro para lhe gostar tanto e te ver andando pelos meus pensamentos. então pensei em toda essa loucura, essa coisa de ir e partir, de conhecer e depois deixar ir. é o fato de tudo ser uma questão de tempo, questão que a gente aprende e desaprende. eu não me lembrei só sobre o amanhã, mas no ontem e na semana passada. na semana passada que a gente sofria empurrões e puxões do gostar passageiro. no ontem, já me dizia que podia o encontrar toda hora e a gente se embolava na frente dos outros tentando não se embolar. sobre amanhã, nem sei, mas já escrevo.
é quase que uma regra pessoal não escrever antes de um encontro, sempre sei do que me é capaz e no fim do meu fumo eu já estou pensando em me casar e viver de amor. imagine escrever sobre então? ficar preso nas expectativas, quase realizações. coisas que por não terem sido feitas, deixaram de ser. então de um dia pro outro alguém te encontra e tudo volta a ser novo... tamanha espera que agora que a toco, analiso e a escrevo, percebo que é mesmo muita. veja meu bem, há tanta coisa abaixo da superfície que pode ser tanto quanto acariciada e colorida. eu poderia escrever sobre o que tanto que espero, a vontade que eu tenho para ter minhas respostas. mas as vezes se resume em se concentrar nas vozes sete horas da manhã em um ambiente completamente cheio simplesmente pelo prazer de poder ouvir sua voz logo pela manhã.
eu não preciso ser tão expert para saber que me marca.
e que seria uma loucura não ser marcada por tal passagem que faço na vida dos outros... mas, as vezes acho que minha vida fica mais marcada pelos outros do que por mim mesma. eu poderia negar os versos que me entregam: "I wanna shine on in the hearts of men."
eu poderia falar sobre todas as minhas experiências traumáticas e minhas tentativas amorosas e sei que você poderia colocar um fim em todas apenas com uma risada. e é exatamente isso que preciso. eu não preciso de respostas ou provas concretas pra te dar o que eu posso te dar. eu não tenho um preço. eu gosto de tomar riscos. o mais certo seria te ver como uma coisa que vou ser obrigada a deixar amanhã... mas eu não imagino. nós dois estamos a procura do verdadeiro, a gente sabe que é uma certa sorte ter chegado até aqui. é que mesmo sendo tudo errado, eu gosto de toda a ideia que você transpõe, eu gosto de tudo o que você faz, eu gosto de você. posso-até-amar-você mesmo sendo tudo tão errado, nada muito adequado ou propício. mas se não fosse por isso, talvez não fosse o que se é.
é que olha, a gente mal saiu, o amanhã mal chegou, eu mal sei do meu pé e da minha cabeça nem mesmo quem eu sou, mas já dá pra colocar tanta questão na mesa só ao encontrar teu olhar, cara. e que a gente é sábio demais para não se esquecer, nem mesmo desperdiçar. a verdade é que se ama pelos detalhes mais mínimos que deixam evidentes o gostar. é pegar ele olhando e depois se entregar com um riso embaraçado, é antes dele chegar pegar um copo de café e ao chegar ele imediatamente vai pegar um café também, como um quase café compartilhado na mente dos poetas sonhadores. me erguer da onde quer que seja para ver se aquele carro vermelho é o dele, é notar que no dia que a gente vai sair, que todos dizem que está mais bonito e de barba feita, é olhar para você e rir porque ninguém sabe. a manifestação que causa em apenas duas almas e que muda apenas a vida e as certezas de duas pessoas que poderiam ter suas diferenças mas eu não sei que palavra te colocar que te definisse como a coisa que valesse a pena ter passado por tudo isso. como se eu fosse a coisa que você tinha esperado. porque eu vejo mesmo muito significado e sentimento em você. é tudo uma questão resumida em coisas.
é mesmo tanta coisa que poderia ser jogada no vento e deixar a dizer. e mesmo que o amor seja o ridículo da vida, ele é sempre tão esperado na minha quanto o amanhã que lentamente chega, que tanto espero, que logo passa. mas fica. eu que evitei escrever sobre você no dia que você disse "receoso... mas por que não?" para não me apressar nem me adiantar, parece tanto tempo, mas faz menos de uma semana. na verdade, só escrevendo na esperança de aliviar tamanha agonia que se espalha e que deixa de ser engolida a cada pé de letra. eu quero ter certeza que você é justamente o que você é e não o que eu quero e eu acho que o amor é lindo por não ter um tema proposto. na verdade, por ser algo mais selvagem e faminto do que toda essa dor da selva humana, ser algo real e no meio de tantas sujeiras, ainda ser uma causa nobre. e como sempre, meu principal lema quase mantra da minha vida, dá um fim em minhas incertezas prolongadas: se for por amor, por que não? eu só vou. (ficar traumatizada por uns oito meses)
terça-feira, 29 de outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
o-que-há-de-nós-que-nos-dói-mais-do-que-sei-lá-o-quê.
uma maneira poética de começar um texto, meu pessimismo batendo de frente com o sentimento o dia inteiro. engraçado que eu tenho me perguntado qual é o real sentido da vida se você anda sozinho. eu sei que eu vim com essa ideia maravilhosa que talvez você seja tudo. você seja talvez um merecimento abençoado que pude ter nessas terras tão estrangeiras, ainda mais. talvez seja o merecimento de toda minha ressaca, minha loucura, minha cor, minha raiva, sequelas que me assombram até hoje. daquele momento em que me perguntei por que dava tudo tão errado com os outros. meu deus, se você pudesse ser a coisa sem nome que me chama pra vida, que caminha ao lado uma vida inteira. com cercas brancas servindo de cozinheira. eu queria mesmo era ser mãe. eu não sei que caminho tudo isso iria me levar mas eu encontrei na minha jornada alguém que coloca todas as minhas questões em pauta. e as descarta secretamente enquanto eu não estou olhando.
pra onde isso vai me levar? eu não queria que fosse longe. queria que fosse junto, amassado, unido, entrelaçado. eu na verdade vim parar aqui porque já tinha levado outro amor longe demais. e eu botava uma prova concreta e boa que não pudesse mentir em frente aos meus olhos. e agora... isso.
e se não for isso, vai ser tudo. tudo isso. eu queria dizer que eu tenho palavras valentes suficientes para você. que a mesma vontade que sente é a mesma que me acaba. eu já sei. talvez você seja tão intuitivo quanto e também já saiba. então é por isso que quando a gente se encontra nos olhos, se estampa uma risada. risada que podia ser estampada por dias inteiros.
a gente vai dormir pedindo consolo, volta de um final semana gasto e gasta a noite inteira tomando um café e escrevendo pro poeta que nos deixou pelo resto da nossa vida inteira. a gente podia se consolar com o sexo mas a vida deixa evidente que não.
o dia que puder sair daqui, vou para os teus braços.
e você me consola com alguns maços porque na verdade a gente sabe que uma vida nobre é uma vida vivida de amor. pela primeira vez na minha vida, alguém me aparece e coloca todas as coisas que eu quero em cima da mesa. pela primeira vez na vida, eu encontro alguém que me faça pensar além de tudo.
se eu te avisar que eu preciso ir quando puder, já vai ser tarde demais.
eu sei, eu só vou. pra qualquer caminho da minha vida, eu vou. mas fica tudo mais fácil te vendo todos os dias. tem tanta graça quanto desgraça. tanto pessimismo quanto sentimentalismo. dois solitários na varanda escrevendo sobre a perda de Lou Reed, com a xícara de café ao lado, o cigarro aceso e a TV cheia de bobagens desligada. a gente escreve para nos afastar dos sons que ecoam a parede branca, mas nossas linhas tortas sempre se encontram. e vai dizer que te encontrar não é mesmo um dom.
nem sei dos sentimentos que possuo, nem mesmo dos meus pensamentos, se for levar em conta a minha vida, acho que já está meio tarde. e se eu quiser largar todas as coisas no ar, eu posso... eu vou, por que não? todos esses cálculos pessoas distância e tempo nos limita. mas o que é real fica na minha crença que não se vai. é loucura jogar palavras e versos contra a leve brisa da noite mas essa é a função dos poetas. você trouxe o meu lado mais próximo a tona, o meu maior segredo, minhas fraquezas. eu quero dias e mais dias na cama falando sobre a vida com você. e quando você sabe que você tem que ir embora, que você gostaria tanto, tanto. daqui uns meses talvez eu supere você mas não duvido que você vá fazer reflexo nos meus dias. meu coração me manda ir e eu vou contra o vento.
mas a vontade de pertencer nunca foi tão grande quanto esse momento.
domingo, 27 de outubro de 2013
o poeta maldito está morto.
mais uma estrela da vendedora de sonhos, do caráter pisado e sonho engolido, mais uma estrela da antiga nova york que se apaga. uma nova york suja, bruta, fedorenta, com artistas e atrizes esfomeados de alma em todas as esquinas. onde patti smith se vira num sebo antigo e compartilha o teto com robert mapplethorpe num hotel que troca o aluguel por arte. sob os tetos da the factory, se juntava estrelas de pornô, travestis, dependentes, músicos. entre eles, onde se reuniu junto a bob dylan, brian jones e mick jagger, sexo, drogas, rock in roll. o que dizer de nova york, nos anos 60? nada do que uma nostalgia e vontade de viver em um tempo que já se passou. onde era digno estar entre eles e passar fome através de um sonho americano. ah... nova york, nos anos 60, eu podia tanto falar sobre você. tanto viver sob você, entre todos. hoje suas almas se venderam prum fast food barato e consumismo exaltado para definir e preencher o que é vida. é crescendo e tendo noção do que eu sou e de como cresci, se distanciando atrás desse tempo histórico onde tudo era poesia e arte em todos os cantos. depois foi tudo engolido pelo poder, pelo fazer mais, ser mais. mais mais. eu queria ter vivido como lou reed para deixar esse tempo, ter vivido o suficiente. tenho medo do que vai acontecer enquanto eu estiver nesse tempo, vai entender. é mais uma geração que perde heróis e a gente percebe que na vida ainda vai restar muito disso. mas é com muita tristeza e nostalgia que deixamos mais uma vida para trás, que deixa de fazer história. que nos lembra que temos que ser sujos. que devemos questionar. mais uma pessoa exemplar é deixada para trás, onde nada muito significativo sai dos tempos de hoje. nossos artistas de hoje não vão deixar o legado do sonho e do sujo que você deixou. nos despedimos de você, nosso querido, como um fã exaltado. obrigada por ter nos dado isso. esperamos que você possa dar uma walk side e rever todos os nossos queridos. brindem com eles a nós, futuros sonhadores. onde suas canções viraram nossos mantras. obrigada por ter nos deixado tão errados.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
"Posso me sentar ao seu lado?" Solta um riso fino, um riso solto. Se acomodou assim mesmo, recusando cadeiras, com a cabeça quase em meu colo, deixando seu cheiro no ar, enquanto eu me pedia um pouco de calma e respirava fundo bem fundo teu cheiro. Tão próximos ao ponto de sentir a energia um do outro, no momento em que os cheiros se misturam, sente-se o calor do outro corpo, o quase toque na dúvida se é ou não é. Proximidade, é a palavra. É sentir tudo, antes de ser.
domingo, 20 de outubro de 2013
(três de março, em minha terra tupiniquim.)
eu já acordava mais preguiçosa
eu já acordava mais preguiçosa
isso quando os cachorros não saltavam em minha cama
e o café já tava posto
e na casa o cheiro do café.
saltava na garupa da bicicleta
acendia o cigarro
e passava o caminho a cumprimentar
a nova vida de mata
amor e oxalá.
do povo do canto
do pé sempre na areia
que antes sorriam
antes mesmo de cumprimentar
tristeza é luxo
que aqui, ninguém se dá
o sol tá alto
o verde predomina
tem cheiro de comida
e estão todos bem.
bulletproof
(Escrito em nove de novembro de 2012.)
eu gosto de gente e gosto de muita gente também. mas gosto mais de estar sozinha. eu gosto de ficar no meu canto e poder inquietar os meus pensamentos, eu gosto de escrever poesia em canto sujo e descobrir o centro sozinha. eu gosto de conhecer gente quando estou sozinha também, e dessa liberdade que se tem de simplesmente sair quando quiser sem dar muita explicação. eu, na verdade, sempre gostei mais das coisas simples. eu sempre preferi a facilidade e a diversão então nunca soube lidar com gente e todas as suas emoções e o que sentem e o que pensam e o que acontece, eu que nunca tive jeito de lidar com os meus problemas, sempre dei colo pros outros, carinho e consolação. mas descobri que meu próprio colo era passear pela avenida paulista e encontrar gente querida sem ter hora marcada e sentar prum café. eu nunca precisei de ninguém para saber que ando muito errada também, e que devo ter mais paciência com as coisas. e mais paciência comigo também. e que eu preciso ter calma, calma com as pessoas e com o mundo delas, afinal não sei medir minha força e em relação a isso sou muito ignorante. e logo que me firo acabo sendo muito bruta também. é, eu ando sendo muito errada. eu ando deixando as pessoas bem sabendo que logo vou deixá-las mal e não preciso de mais ninguém para explicar essa loucura que vivo a qual já estou acomodada. não preciso também de mais ninguém que ouça as minhas palavras que valem tanto mas são desconsideráveis porque elas não valem muito. eu tenho deixado de amar os outros por se amar pelos defeitos e acho que não quero encontrar muitos defeitos nos outros não. nem que joguem os meus em minha cara, por ser tola e continuar em frente à uma porta inexistente, esperando que abra, sendo que estou na frente de uma parede. e eu sei que estou na frente de uma parede, diabo! mas odeio provar aos outros que estou errada. talvez tenha deixado de amar os outros para que eles não tenham uma versão muito íntima de mim, distorcida e toda problemática. toda cheia de erros e falhas. ah não, eu não quero ser vista assim pelo mundo. esse mundo não pode me derrubar. não, não pode. porque esse mundo é um borrão e você tem de ficar de pé. eu tenho sido mais sozinha para não dar mais satisfações, porque quem as verdadeiramente merece não as cobra, e não ser apenas uma felina que logo que se cansa da brincadeira, deixa de lado. eu tenho errado muito em relação as pessoas e ficado sem resposta. tenho mudado muito meu ponto de vista de quem eu era, e sinto saudade. mas nem sei mais quem era eu. eu tenho me enchido de palavras valentes de gente importante por nunca ter tido nenhuma palavra valente de quem eu considero mesmo importante e tenho me acostumado a ser a pessoa mais feliz e vibrante do grupo, sendo que eu sempre fui um poço de melancolia. eu não me lembro mais qual era a máscara que vesti, mas não me sinto mais eu - só que nunca me senti mais eu do que antes.
eu gosto de gente e gosto de muita gente também. mas gosto mais de estar sozinha. eu gosto de ficar no meu canto e poder inquietar os meus pensamentos, eu gosto de escrever poesia em canto sujo e descobrir o centro sozinha. eu gosto de conhecer gente quando estou sozinha também, e dessa liberdade que se tem de simplesmente sair quando quiser sem dar muita explicação. eu, na verdade, sempre gostei mais das coisas simples. eu sempre preferi a facilidade e a diversão então nunca soube lidar com gente e todas as suas emoções e o que sentem e o que pensam e o que acontece, eu que nunca tive jeito de lidar com os meus problemas, sempre dei colo pros outros, carinho e consolação. mas descobri que meu próprio colo era passear pela avenida paulista e encontrar gente querida sem ter hora marcada e sentar prum café. eu nunca precisei de ninguém para saber que ando muito errada também, e que devo ter mais paciência com as coisas. e mais paciência comigo também. e que eu preciso ter calma, calma com as pessoas e com o mundo delas, afinal não sei medir minha força e em relação a isso sou muito ignorante. e logo que me firo acabo sendo muito bruta também. é, eu ando sendo muito errada. eu ando deixando as pessoas bem sabendo que logo vou deixá-las mal e não preciso de mais ninguém para explicar essa loucura que vivo a qual já estou acomodada. não preciso também de mais ninguém que ouça as minhas palavras que valem tanto mas são desconsideráveis porque elas não valem muito. eu tenho deixado de amar os outros por se amar pelos defeitos e acho que não quero encontrar muitos defeitos nos outros não. nem que joguem os meus em minha cara, por ser tola e continuar em frente à uma porta inexistente, esperando que abra, sendo que estou na frente de uma parede. e eu sei que estou na frente de uma parede, diabo! mas odeio provar aos outros que estou errada. talvez tenha deixado de amar os outros para que eles não tenham uma versão muito íntima de mim, distorcida e toda problemática. toda cheia de erros e falhas. ah não, eu não quero ser vista assim pelo mundo. esse mundo não pode me derrubar. não, não pode. porque esse mundo é um borrão e você tem de ficar de pé. eu tenho sido mais sozinha para não dar mais satisfações, porque quem as verdadeiramente merece não as cobra, e não ser apenas uma felina que logo que se cansa da brincadeira, deixa de lado. eu tenho errado muito em relação as pessoas e ficado sem resposta. tenho mudado muito meu ponto de vista de quem eu era, e sinto saudade. mas nem sei mais quem era eu. eu tenho me enchido de palavras valentes de gente importante por nunca ter tido nenhuma palavra valente de quem eu considero mesmo importante e tenho me acostumado a ser a pessoa mais feliz e vibrante do grupo, sendo que eu sempre fui um poço de melancolia. eu não me lembro mais qual era a máscara que vesti, mas não me sinto mais eu - só que nunca me senti mais eu do que antes.
essas madrugadas me enlouquecem.
O Jazz quando toca pega na tua mão e te convida pra dançar.
Tom
Dom
Dom
Tom
Dom
Dom
Minha taça de vinho e meu cabelo vermelho.
O maço de cigarro novinho servindo de conselho.
A cidade cinza se cala com a chuva fraca,
Só se vê de longe janelas amarelas de quase barracas.
De dourado, de dentro: Tom. Dom. Dom.
Incensos acesos e café preparado.
Pensamentos dispersos e sentimentos errados.
Flores falsas, maquiagem borrada.
Expensas e avulsas, soam porrada.
Tom. Dom. Dom.
Hoje em dia na TV, não passa nada bom.
Tom. Dom. Dom.
Hoje em dia na cidade, sentir é quase um dom.
Tom
Dom
Dom
A batida do jazz me fazendo sentir o mundo inteiro.
Mundo vazio, fica aí o meu conselho.
Tom
Dom
Dom
Tom
Dom
Dom
Minha taça de vinho e meu cabelo vermelho.
O maço de cigarro novinho servindo de conselho.
A cidade cinza se cala com a chuva fraca,
Só se vê de longe janelas amarelas de quase barracas.
De dourado, de dentro: Tom. Dom. Dom.
Incensos acesos e café preparado.
Pensamentos dispersos e sentimentos errados.
Flores falsas, maquiagem borrada.
Expensas e avulsas, soam porrada.
Tom. Dom. Dom.
Hoje em dia na TV, não passa nada bom.
Tom. Dom. Dom.
Hoje em dia na cidade, sentir é quase um dom.
Tom
Dom
Dom
A batida do jazz me fazendo sentir o mundo inteiro.
Mundo vazio, fica aí o meu conselho.
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