nesses cigarros compartilhados que dão mais de um maço
voltar com a velha crença que me encontrei em seus braços.
é sempre essa velha história de não saber o que dizer.
de acordar na tarde e pensar que você está no seu trabalho. que hoje nada mais que eu faça vai me fazer encontrar você... será que a gente pode fugir enquanto você compra pão? eu sempre te espero ansiosamente pelo amanhã. logo na manhã e carregar, em que me mergulho por todas aquelas vozes e consigo achar a tua. - como eu amo isso!
eu rio comigo mesma só de perceber que eu acordo e penso em você. eu rio comigo mesma só de lembrar em você e depois eu rio mais um pouco por perceber que você está me fazendo rir... e depois eu rio mais um pouco, porque dá medo mas ainda tem sua graça. é que por mais triste seja ter de partir, minha ida seja tão breve quanto a sua estadia, não posso mais mentir ou esconder o quanto te gosto. de verdade. e que eu não tô aqui por simples desperdício de tempo... eu sei que eu disfarço bem, com meu riso sempre tão exposto, meu andar quase leve, minha timidez que vez em quando bate, me fazendo olhar instintivamente para o chão, mesmo assim vestindo o sorriso que você me dá.
eu sei que eu disfarço bem mas você sabe que é verdade. eu sei também.
então a gente troca umas risadas silenciosas pelo corredor, depois de uma noite que a gente dormiu pensando na gente e a gente ri e volta a fazer nossas coisas e mais tarde nessas coisas, a gente ri se lembrando de quem a gente é agora. e mesmo que seja peso, é tão engraçado quanto desesperador quando a gente encontra com o que é,o que pega todas suas formas, todas suas cores, todas as suas dores e é. é.
e não consegue ser pesado. não há correntes e bolas penduradas pelo pé. é ter um abrigo em todo esse contexto caótico e extrapolado, ter um lugar, pertencer. e não um contexto caótico e extrapolado no seu próprio abrigo. esse ponto se destaca para mim. hoje em dia tão pouco sei onde moro, o que eu carrego, o que eu devo ou vou carregar. nem sei ao certo o que eu sou. mas você me dá uma clareza e firmeza que nunca pude encontrar. eu escrevo para registrar, algo que vai ser passado. vai ser pesado. vai me deixar.
e eu partirei antes.
eu não queria te enxergar por trás dos meus olhos cinzentos e tristes, a vida é muito maior do que todas essas rimas, todo esse jogo, todas essas cores que transbordo. você me faz acreditar que todos os valores e termos podem mas não se resumem ao estar lá e estar no momento.
pegar a estrada logo pela noite, deixar o ar e o vento entrar, cheiro de cigarro, cheiro de mato e o seu cheiro também.e ela poderia se resumir facilmente em estar com você e te observar pelo canto dos olhos, enquanto toca morphine. e sua mão vai se aproximando lentamente da minha "xoxotinha" - e eu me imaginei te perguntando qual seria o melhor termo e você me diria isso depois de algumas tentativas de um jeito bem sacana e seu mesmo. e eu comecei a rir. e eu vou te colocando pela minha cabeça, criando outras histórias, outros momentos, outros diálogos. porque é fácil te encaixar nos meus contextos. é sempre leve, base, sólido. as vezes parece bobo, mas a gente leva a sério. por trás daquelas palavras sacanas, a minha verdade nua do jeito que ela é. por trás dos meus risos sujos, seus olhos me acompanham e me lembram que é ainda sim, uma causa nobre.
eu não quero te complicar, te tentar encaixar na minha vida, te moldar de outras formas. eu gosto de olhar pro céu que a gente sabe que é azul e além de lindo e sublime eu ainda acho umas pinceladas rosadas no meio dele, bem leves, quase diluídas. eu gosto de sorrir e me lembrar de você. gosto de te associar com qualquer coisa boba, notar as colinas do mato enquanto remo de volta pra terra e elas formarem e me lembrarem o seu rosto. se eu pudesse pedir qualquer coisa no fundo do meu coração, eu pediria você. eu pediria que se por algum acaso bom, eu talvez possa ficar com você pra sempre. seria tão fácil e simples. porque no fundo quando eu noto o que me falta e o que eu quero, são coisas simples como a sua sombra. por perto, calado, manifestando sua presença, permanência. se eu pudesse pegar uma dessas coisas que mais gosto do mundo, acho que pegaria mesmo você, de trinta e poucos anos, insônias pesadas, nada muito limpo, nada muito valioso. eu quero tudo. quero soma. quero estar. meu deus, como te gosto. como fico frenética querendo te encontrar. deixando escapar tudo por um segundo que posso encontrar com sua presença. e como sempre, a gente ri e olha pro chão, porque a gente sabe.
talvez não seja o tempo certo, nem o lugar. mas é. e só por isso, todo o amor desse mundo já basta.
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