quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

fico me perguntando
desde quando
me tornei
entrei
entonei
esse ofício
precipício
desperdiço?

desperdiço
o riso,
esqueço
a razão
do grito.
enlouqueço.

me disfarço
como quem quer
um trago.
me figuro,
me embaço.

trago.
trazer?
te trago.
[e] nada.

nada
de ser.

quebram-me
o silêncio
com a televisão.

um sim.
um não.

um mim
sem mim.
Só.

trago,
me trago.
estrago.
quebrado...

mais um
trago.

não só o
eu.
não sou só
eu.

e me esqueço
que antes de tudo,
eu fui
eu.
Só.
nada mais...

sábado, 4 de janeiro de 2014

noite(s)

 página branca
 fica me encarando
 desde quando me levanto
 desde quando o sol canta

 cheia de mim mesma
 e de outros também,
 fugimos pronde o mar bate
 mas só quando o sol repousa
                                         [ e a noite
                                              vem.

 a caminho, passava pela sua rua,
 só para ver se estava em casa.
 te via pelo canto dos olhos
 você na varanda, imóvel

 e eu bêbada e chapada
querendo te amar e mais nada.
te ignorei como quem não quer nada
e fui dançar na folia pra lua encantada.

 alteradas demais
 para um mantra,
 cortejamos os cosmos
 com o nosso riso

 ríamos para as estrelas
 e elas ouviram as gargalhadas
 deitamos nos véus de grãos, de areia
 fiquei deitada imóvel, sentindo a praia.

 pela manhã,
 não tirava os olhos do céu,
 aquela donzela danada.
 que depois da via láctea,

 me presenteava,
 sete cores as seis da manhã
 e eu namorava a vida que é desvendada,
 meu lilás era o primeiro.

 foi com o verde que pude me emocionar.
"danada, mais o verde pra me presentear?"
 21 estrelas cadentes. minhas, naquela noite.
 tudo pelo som da nossa risada.

 sou milionária.
 mas isso é segredo.
 valor agregado,
 que carrego só no meu peito.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

cagada

uma cagada
por poesia
uma cagada
de vida

uma cagada
de paz
pra mim
uma cagada

pra fazer rima
e faço rima com o cagar
porque rima não tem-se hora
não se pertence

meu grito permanece
minha alma enobrece
meu riso entortesse
tão nova

e fodida
que uma cagada
serve pra fazer
rima.