sábado, 4 de janeiro de 2014

noite(s)

 página branca
 fica me encarando
 desde quando me levanto
 desde quando o sol canta

 cheia de mim mesma
 e de outros também,
 fugimos pronde o mar bate
 mas só quando o sol repousa
                                         [ e a noite
                                              vem.

 a caminho, passava pela sua rua,
 só para ver se estava em casa.
 te via pelo canto dos olhos
 você na varanda, imóvel

 e eu bêbada e chapada
querendo te amar e mais nada.
te ignorei como quem não quer nada
e fui dançar na folia pra lua encantada.

 alteradas demais
 para um mantra,
 cortejamos os cosmos
 com o nosso riso

 ríamos para as estrelas
 e elas ouviram as gargalhadas
 deitamos nos véus de grãos, de areia
 fiquei deitada imóvel, sentindo a praia.

 pela manhã,
 não tirava os olhos do céu,
 aquela donzela danada.
 que depois da via láctea,

 me presenteava,
 sete cores as seis da manhã
 e eu namorava a vida que é desvendada,
 meu lilás era o primeiro.

 foi com o verde que pude me emocionar.
"danada, mais o verde pra me presentear?"
 21 estrelas cadentes. minhas, naquela noite.
 tudo pelo som da nossa risada.

 sou milionária.
 mas isso é segredo.
 valor agregado,
 que carrego só no meu peito.

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